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O verdadeiro amor

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... O amor e um sentimento puro e vem de Deus!

Amar e viver!

Amar e viver!
Nao existe amor impossivel, existem pessoas incapazes de lutar por ele.

quarta-feira, 18 de julho de 2012


Título: A Escolha do Coração






Um dos ponteiros do relógio passou pelo outro, marcando
aquele breve e imparável momento em que um dia acaba
e outro começa. Holly estava deitada na cama a acariciar o
inchaço na barriga e a tranquilizar o seu bebé, ainda por nascer,
do medo gelado que lhe assolou o corpo, tão imparável como
os ponteiros do relógio.
Holly fez um grande esforço para se virar de lado. Teve de
manobrar a saliência com cuidado enquanto reprimia os seus
inúmeros resmungos e gemidos com receio de acordar Tom,
que se encontrava de costas para ela, a ressonar suavemente.
Ela inspirou profundamente, saboreando o seu cheiro quente
e doce.
– Amo-te – sussurrou. O som da sua voz foi muito pouco
audível e ela começava a tornar-se uma perita em não fazer
barulho. Passara muitas noites deitada ao lado dele a combater
o impulso de quebrar o silêncio e dizer-lhe que o dia em que
o deixaria estava cada vez mais próximo.
– É hoje – disse-lhe. – Vais ser pai, um pai maravilhoso.
Porém, não vai ser fácil. Vais pensar que não serás capaz de
aguentar, mas conseguirás. Vais zangar-te comigo por vos deixar
aos dois, mas acabarás por compreender. Um dia, olharás para
a tua filha e perceberás o que eu já percebi. Que o sacrifício
valeu a pena. Tom mexeu-se e Holly susteve a respiração. Não queria
acordá-lo, ainda não. Tinha de dar voz ao seu pedido de desculpas. Só não queria que ele o ouvisse. Era uma das últimas
coisas na sua «lista de afazeres». Isso e dar à luz, claro.
Holly passara os últimos meses a preparar-se para a chegada
da filha e, tão importante como isso, a preparar-se para a sua
partida da vida deles. Tom amava Holly pela sua obsessão com
os planos, que quase raiava o neurótico, contudo, até ele ficaria
chocado por ver como ela se preparara bem para aquele dia. De
que outro modo poderia ela morrer em paz?
– Amo-te – repetiu Holly. Uma lágrima isolada escorreu-
-lhe pela face e ela sentiu o fardo do conhecimento a pressioná-
-la mais para baixo do que o peso do bebé que carregava. –
Lamento tanto não te ter dito, não te ter podido dizer. Por mais
que isto seja horrível para mim, teria sido insuportável para ti.
Tive de tomar algumas decisões difíceis e aprendi, da pior
maneira, que as melhores decisões nunca são as mais óbvias.
E também aprendi outra coisa. Que o amor perdura, por vezes,
na mais extraordinária das formas. Prometo-te que estarei a teu
lado nos momentos mais dolorosos.
Escapou-lhe um soluço, desta vez suficientemente alto para
despertar Tom. Ele virou-se para ela, sonolento.
– Estás bem? – murmurou, começando a acordar. – Já está
na hora?
– Se já está na hora? Ainda não – descansou-o Holly, for-
çando um sorriso. O tempo era seu inimigo desde que se mudara
com o marido para a casa de campo, uma casa a que agora chamavam lar. Isso acontecera apenas dezoito meses antes e os seus
pensamentos regressaram àquele instante crucial em que o tempo
começara a escapar-lhe por entre os dedos.




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